O mercado financeiro exclui sistemáticamente os negros – e as razões vêm da escravidão

O mercado financeiro exclui sistemáticamente os negros – e as razões vêm da escravidão

A desigualdade se agravou na pandemia e deixou ainda mais exposta uma faceta pouco falada: a dificuldade of acesso dos black ao market financeiro. Un mayor reciente pesquisa da Abima, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, revela que o número de inversores da classe A aumentou de 61% para 71%, enquanto a classe B permaneceu estável ea C despencou em 23%.

Isso significa que, na prática, o maior grupo populacional do country resgatar con precisión Seus investimentos para arcar com emergências financeiras e lidar com a instabilidade econômica, enquanto a classe A, que representa 1%, ficou ainda mais rica.

Os negros são 56% dos brasileiros, mas representa apenas el 17% dos más ricos mi 75% dos más pobres. Sete em cada 10 brasileiros sem conta bancária são negros. Os negros têm o crédito negado três vezes mais do que brancos nas instituições bancárias e ganham, em média, 50% menos que os brancos até quando têm o mesmo nível de escolaridade.

Mas as origins da falta de serviços e produtos voltados a essa população vão além de mera barreira econômica. A questão é mais profunda e remonta ao período escravagista que durou mais de 350 anos.

UN Escravidão en Brasil foi iniciada no século 16, em 1535, com a chegada do primeiro navio com africanos escravizados em Salvador, Bahia. Foi o marco de um período devastador para a história brasileira, que teve seu fim institucional em 13 de maio 1888, com a Lei Áurea.

Durante mais de três séculos, a população negra foi mantida à margem do system, e this afastamento compulsório teve consequências graves até hoje. As desigualdades sociais e raciais que enfrentamos é oriunda de diversas políticas y prácticas de mercado racistas implementadas ao longo da história, que influenciaram na forma como negros e pobres lidam com sus proprias finanças. Selecionei três delas para refletirmos juntos.

Os “escravos de ganho”

Os africanos que trabalhavam na mineração e na agricultura, em regiões de cultivo monocultor, nas lavouras e senzalas, com trabalhos braçais, são os mais noticiados nos livros. Porém, existiam outros grupos menos conhecidos, que desempenhavam serviços considerados urbanos, como tarefas do setor comercial ou de serviços, chamados de “escravos de ganho”.

Eles tinham um dono, assim como os outros escravizados, mas tinham uma certa autonomia. Muitos não moravam na mesma casa de seu senhor, podendo circular livremente pelas ruas e praticar um ofício que lhe garantisse o sustento, não só no comércio ambulante e no transport de carga, conhecido como “ganho de rua”, mas como operários, marinheiros, cirurgias, curandeiros y pescadores. No entanto, apesar da aparente liberdade, esse escravizado pagava ao seu senhor um valor, normalmente diário ou quinzenal, que funcionava como um aluguel de si mesmo para exercer seu ofício.

Para os senhores, os negros sirven como um activo financiero, pois recebiam um valor periódico sem precisarem trabalhar. Assim, viviam “de renda”, ou seja, da renda passiva gerada por meio do rendimento dos escravizados. De acuerdo con la historiadora Cecília Soares, algunos registros encontrados en Salvador mostram que o produto do trabalho do escravizado permitia que o dono vivesse de forma ociosa.

Os senhores conseguiam recuperar em até três anos o valor pay no mercado escravagista. É importante lembrar que a primeira Bolsa de Valores brasileira foi inaugurada em Salvador em 1817. Ou seja, os escravizados podem ser lidos como um dos primeiros ativos financeiros da elite brasileira.

Entre os “escravos de ganho”, inclusive, era comum conseguir economizar parte de sua renda e comprar, com o tempo, seus primeiros bens, como roupas, joias e terrenos. Era a maneira mais segura de manter suas riquezas, enquanto não conseguiam a alforria. Esta puede ser una de las influencias para un compra de imoveis ser um tipo de investimento tão popular no Brasil culturalmente, mesmo existindo outros ativos no mercado que oferecem maior rentabilidade, liquidez y segurança.

A conquista do peculio

Um dos grandes marcos no acesso da população negra ao sistema financeiro aconteceu com a publicação da lei 2.040, de 1871. Ela deixava aberta a possibilidade de os escravizados formarem um pecúlio (poupança para compra da própria liberdade ou de outros cativos) por meio de doações , legados e heranças ou renda, provenientes do seu trabalho.

Com essa lei, a Caixa Econômica, criada em 1861, podría haber recordado los depósitos hechos por escravizados, como fazia no case do depositante não escravizado, emitiendo una caderneta de controle de depósitos e retiradas. Fundada com o objetivo de incentivar a poupança e conceder empréstimos sob penhor, com a garantia do Governmento Imperial, a Caixa oferecia maior segurança para os investidores na época, fator importantíssimo para os negros. Ainda assim, havia uma diferença: na caderneta de escravizados constava o nome do senhor, uma vez que era necessária sua autorização para que a conta fosse aberta.

De acuerdo con la evaluación propia de la Caixa Econômica, el banco para la cría en Río de Janeiro y el primer cambio institucionalizado para las inversiones de la población negra de la época. Este fato histórico puede ser uma das explicações para a popularidade da caderneta de poupançao investimento mais escolhido pelos brasileiros até hoje.

Mesmo com pequenos avanços, muitos senhores não concordavam com essa lei e impediam os escravizados de acumularem pecúlio ou cobravam valores absurdos que impossibilitavam o pagamento das alforrias. Como alternativa a ese escenario, muitos escravizados recorriam a um Empréstimo com terceros. Uma vez que não tinham outros recursos para arcar com o valor da dívida, faziam contratos de locação de serviços, analogs à escravidão, com seu credor. Esta realidad se aproxima a la población negra de endividamento como uma das poucas alternativas para alcanzar a propria liberdade.

Politicas de branqueamiento

Mesmo después de la abolición de la escravatura, entre 1888 y 1920, se reforzó la idea de que o Brasil deveria pasar por un proceso de “branqueamento” para se tornar uma nação adiantada y comparada a países europeos.

Esse pensamento justificou, entre outras políticas racistas, o incentivo à imigração europeia por parte das elites econômicas e do próprio estado, com a promoção de leis que favoreciam a compra de terras, por exemplo, por estrangeiros. Com isso, negros foram excluídos não só do trabalho no field, mas também do trabalho urbano, processo que impossibilitou a inclusão plena desses groups, diminuindo suas oportunidades e acesso à educação, saúde e empregos of qualidade, o que dificulta a geração e acúmulo de capital, a compra de ativos financeiros e, ainda, a diversificação de seus investimentos.

Escravidão que persiste

Existe una relación compleja entre el período escravagista y algunos comportamientos financieros de la población. Essa mesma estrutura continua mantendo negros na base da pirâmide, impedindo-os, mesmo depois de tantos anos, de ascender e acessar o mercado financeiro e outros serviços. Mas, e agora, por onde começamos a pensar na solução deste problema?

É necessária una unión de instituciones públicas y privadas, com e sem fins lucrativos, de diversos setores, junto con políticas públicas de reparación histórica, que colocan a população negra y sus subjetividades como centro de discusión. Até hoje, as pesquisas promovidas por entidades relacionadas con el mercado financiero não apresentam um enfoque racial.

So com a inclusão da raça nas pesquisas do mercado será possível pensar acciones de incentivo focalizadas en la población negra, que busquen su inclusión, seja educando para una compra de activos financieros; ofreciendo gratuitamente servicios personalizados, entre otros. Quando o problema é complexo, a solução não pode ser simple.

Parafraseando a la socióloga Lélia Gonzalez, “enquanto a questão negra não for assumida pela sociedade brasileira como um todo: negros, brancos e nós todos juntos refletirmos, avaliarmos, desenvolvermos uma práxis de conscientização da questão da discriminação racial neste país, vai ser muito difícil no Brasil, chegar ao ponto de efetivamente ser uma democracia racial”. Este é um dever de todos. Incluido el mercado financiero.

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