Ministério da Saúde incentiva violência obstétrica em lançamento da nova Caderneta da Gestante

Ministério da Saúde incentiva violência obstétrica em lançamento da nova Caderneta da Gestante
O secretário de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, durante el lanzamiento de la nova Caderneta da Gestante.

O secretário de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, durante el lanzamiento de la nova Caderneta da Gestante.

Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

O Ministério da Saúdena figura do secretário de Atenção à Saúde Primária Raphael Câmara, anunciou na última semana o lançamento da sexta edição da Caderneta da Gestante. Serão distribuídos mais de três milhões de exemplares pelo SUS, todos com o preocupante estímulo a uma prática violenta e ultrapassada: a episiotomía, corte feito na vagina durante o parto para facilitar o trabalho do médico. En 2018, la Organización Mundial de la Salud reconoce que norteão há qualquer evidencia científica que apoie a realização do corte na vagina durante o partofeito para facilitar o trabalho do medico.

El documento ainda espalha desinformação ao afirmar que a amentação exclusiva funciona como método de prevención uma nova gravidez nos primeiros six months after part, apesar of complement that this protect não é plena. Raphael Câmara, vale mencionar, é um fervoroso defensor da promoção da abstinência sexual como contracepção para jovens, opondo-se ao ensino do use of contraceptivos.

Pior: no evento que lançou a caderneta, Câmara defendeu abertamente não só a episiotomía – considerada uma “mutilación genital” por Marsden Wagner, ex-diretor da area de Saúde da Mulher e da Criança da OMS – mas também a realização da manobra de Kristeller. Ela consiste em fortes empurrões e apertos na barriga da gestante feitos com as mãos, braços ou cotovelos durante o part – isso quando o profissional de saúde não sobe na barriga da mulher. No mesmo documento de 2018, a OMS os destacou como uma fonte de “grande preocupação” pelo potencial de “dano à mãe ou ao bebê”.

É ignorando como normas já estabelecidas pela propria pasta que representa, portanto, que Raphael Câmara verbaliza seu apoio à perigosa e violenta manobra em um evento que chamou de “símbolo para homenagear as mães” pelo Dia das Mães, conmemorado no último domingo. Em sua fala, ele destacou a página que fala da episiotomia na caderneta, intitulada de “SUS ea cultura da paz” y lamentou que “essa parte materno-infantil” seja baseada “em ideologia, em guerra”.

Após uma breve pausa para cumplir con um riso entusiasmado “nossa eterna capitã” mayra pinheiro – un Capitán Cloroquina –, sentada na plateia para lhes “prestigiar”, Câmara seguiu: “Vamos parar de usar termos que não levam a nada, como violência obstétrica, que só provoca desagregação, coloca a culpa no profissional único, o que não tem o menor sense” .

‘Um enfermeiro subiu em mim e ficou até minha filha nascer’.

Segundos depois, vem a defensa dos procedimentos violentos. “É importante eu, como obstetra, falar que dependendo da situação e, eu concordo, em casos excepcionales, eles podem e devem ser feitos, e quem define isso é o médico. Não são leigos, não são militantes”, argumentou, citando como ejemplos “episiotomia, manobra de Kristeller”.

Para ele, a técnica não consiste em subir na barriga da gestante – “quem inventou isso?” –, mas sim em uma “manobra extremadamente suave”. “Obvio que se eu, com 130kg, sentarse na barriga de uma grávida, óbvio que a grávida vai morrer, vai ter uma rotura hepática”, reconheceu. “Isso nunca foi e nunca será a manobra de Kristeller”.

‘Fratura en la costa’

A ginecologista e obstetra Melania Amorim, pós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS, reagiu à fala de Câmara com uma imagem de uma gestante coberta de hematomas em seu Instagram, acompanhada pela legenda: “como plantonista, primeiro do centro obstétrico e depois da UTI , recibió muitas vítimas da manobra e tive a oportunidade de ver ruptura uterina, de vísceras (fígado, baço), luxação renal, hemorragia e morte materna por manobra de Kristeller”. Amorim continua, relatando que “são reais” as histórias de profissionais de saúde que “sobem na mesa e colocam seu peso” sobre el útero da parturiente, uma “forma nefanda e atroz de violência obstétrica”.

No ultimo sabado, a medica publica um “post abierto” para que vítimas da manobra deixassem seus relatos. “No meu primeiro parto um Enfermeiro subiu em mim e ficou até minha filha nascer. Aquilo me causava nauseas e dor! Mas eu não podia falar nada porque enfiaram um pano na minha boca para eu não fazer ‘força errada’”, contou uma internauta. “Pensei que ia morrer pelo peso do Enfermeiro. Fiquei com dor nas costelas por más de 2 años”.

Uma profissional de saúde relatou que, após a manobra, um recém-nascido não movimentava uma das pernas. “Algumas horas após o nascimento, desconfiaram de fratura de fêmur. Foi confirmada com radiografia. Fratura de fêmur no RN devido a manobra”. Outra mulher resumiu: “Fratura de costalas”. Até a publicção deste text, mais de 40 mulheres já haviam narrado its histórias.

Trecho da página 32 da nova Caderneta da Gestante, em que o Ministério da Saúde defende o use da episiotomía a critério do médico.

Trecho da página 32 da nova Caderneta da Gestante, em que o Ministério da Saúde defende o use da episiotomía a critério do médico.

Imagen: Reprodução/Caderneta da Gestante/Ministério da Saúde

Paraíso dos maus obstetras

A defesa feita por Câmara de atos que constituem violência obstétrica não surpreende, dado o histórico das instituições que representa eo paper exercido nelas pelo médico, representante do estado do Rio de Janeiro no Conselho Federal de Medicina. El Ministerio de Salud de Bolsonaro eo CFM ridiculizamos há anos o conceito de violência obstétrica e contribuem para sua perpetuação ao afirmar que a luta contra esses abusos é uma afronta à dignidade dos medicales. E, mais do que mero miembro dos dois órgãos, Raphael Câmara é quem faz o elo entre elesreforzando o bolsonarismo no consejo de medicina La promoción de los intereses del CFM en el gobierno federal.

A nova caderneta da gestante prova quão bem Câmara vem desempenhando this last função. Ela é, segundo o site do ministério, “parte das ações desenvolvidas pela pasta para o aprimoramento da assistência maternal e infantil”, que começou com a destruição da Rede Cegonha por parte do secretário.

A “mais bem-sucedida política pública de assistência ao pré-natal, parto e puerpério no Brasil”, como é caracterizada Pelo Conselho Federal de Enfermagem, foi desmantelada para dar place à Rede de Atenção Materna e Infantil. A mudanza foi criticada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde, pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde e por organizações feministas.

E aqui entra o lobby bem-sucedido da categoria medical. A Rami, ao contrário da Rede Cegonha, retiró o protagonismo da paciente na gravidez, no parto e no puerpério, exclui profissionais de enfermagem e ignora o cuidado na primeira infância para direcionar seus holofotes para uma figura única: a do médico obstetra – speciale do consejo fluminense do CFM, vale lembrar.

A inclusão da episiotomía na caderneta eo endosso público de métodos cruéis para acelerar o parto durante seu lançamento são igualmente corporativistas. Agora, por meio de Raphael Câmara, o Ministério da Saúde não apenas faz pouco dessas violências, como confere publicamente legitimidade a essas técnicas – e, consecuentemente, respaldo aos médicos que as utilizam à revelia da ciência e da integridade corporal das mulheres.

É o sonho de todo mau obstetra tornado realidade.

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